( reprodução de material recebido via e-mail)
Governo Lula 2003
O Rei está ficando nu e as máscaras dos cortesãos escorregam e caem das suas caras suadas após uma longa luta pelo poder.
Com qual autoridade, ética ou moral, pode exigir fidelidade partidária aos seus parlamentares um partido que atrai para as bases de apoio Legislativo ao governo que elegeu, deputados e senadores de partidos que não definiram ainda se apóiam ou não os atuais mandatários nacionais? Ou se aposta no agravamento do caos interpartidário num vislumbre ou perspectiva de um regime de partido único?
Qual o governo republicano no Brasil que não teve um governo que lhe tenha antecedido no exercício do poder máximo da Nação? Qual o governo que não jogou nos ombros dos seus antecessores as responsabilidades pelos atuais problemas do país? Porque os governantes encerram os seus mandatos e têm em seus sucessores as mesmas acusações sobre os seus desempenhos? Esta cantilena não é antiga? E não é mais antiga e extemporânea para quem tanto anunciou mudança? Até quando Cartago abusará da nossa paciência? Indaga o senador Cícero. E Hamlet é recorrente e perplexo: ser ou não ser? Não dá para esquecer: a presente instabilidade econômica no Brasil começou no período pré-eleitoral de 2002 quando liderava as sondagens de preferência popular para a Presidência o líder político que reapareceu recentemente numa fita de vídeo-cassete discursando em Sergipe e chamando de ¿ladrão¿ o Presidente de então e adjetivando outros adversários (um deles já falecido) de ¿trombadinha¿ além de denunciar o dono da maior rede de televisão do país como um dos responsáveis pelos nossos problemas mais graves. Esta fita documenta e fundamenta o clima de apreensão vivido entre setores decisivos para a vida material nacional. Qual a maturidade ou coerência que pode ser cobrada aos filiados ao seu partido quem procedeu assim até recentemente? Adjetivos pouco lisonjeiros continuam sendo usados em seus discursos políticos (semelhantes aos usados nos palanques de outrora), vejamos alguns exemplos: ¿caixa preta do Judiciário¿, ¿malandro¿, etc. Como tal autoridade pode ser diferente de Fernando Henrique Cardoso acusado de classificar como ¿vagabundo¿ quem se aposentasse antes ou com 50 anos de idade?!... Como um governo pode se considerar favorável aos interesses dos trabalhadores quando trava o desenvolvimento econômico, sufoca o consumo interno e aumenta o desemprego? Como combateremos a ameaça inflacionária com inusitadas taxas de juros e escorchantes cargas tributárias? Enfim, como festejar a presente ¿estabilidade econômica¿ se não sabemos para onde ir num mundo acossado por uma iminente recessão de conseqüências imprevisíveis? Para que tantas salvaguardas para os setores financeiros e especuladores que tiram e põem seus dólares aqui ao seu bel prazer e sem qualquer aviso prévio? Qual o motivo para tanta euforia porque não conseguimos mais importar por falta de dinheiro? Segundo o presidente do Partido da Frente Liberal, senador Jorge Bornhausen, o atual governo só tinha um plano de poder, mas nunca teve um plano de governo!... Isto é apavorante!... Os grandes projetos do novo governo (Fome Zero, Primeiro Emprego e outros) ainda não foram formatados nem se configuraram nem começaram a ser deslanchados após meio ano de governo (se considerarmos o governo de transição de dois meses iniciado em Novembro de 2002). Além de tudo isto o fluxo das informações não está assim tão livre quanto antes: a imprensa diária está repleta de exemplos para o que acabo de notar. Leia o que aqui afirmo em jornais da credibilidade da Folha de S. Paulo, O Globo, Estado de Minas, Jornal do Brasil ou O Estado de S. Paulo. E nas colunas dos seus mais conceituados jornalistas e colaboradores. Não se trata de difamação. O novo Vice-Presidente da República, o novo presidente da Câmara dos Deputados, o atual chefe da Casa Civil da Presidência, vários deputados e senadores do Partido dos Trabalhadores também já disseram ou insinuaram o que acabo de escrever. O atual governo nem precisa de uma Oposição: os oposicionistas mais brilhantes estão nas próprias fileiras das forças políticas situacionistas! Paradoxal e confusa a nossa situação política e econômica!...
Será que não se está indo longe demais num governo de retóricas às ¿mil e uma noites¿ de esperanças, sonhos e desejos e sem qualquer ação concreta e notável em questões cruciais e nevrálgicas como as questões dos elitismos e favorecimentos culturais e nosso caos educacional, a barbárie e a apocalíptica insegurança pública, a fragilidade e a concentração dos nossos serviços ambulatoriais e médico-hospitalares, a fatal precariedade das nossas estradas de rodagem, a inexistência de infra-estruturas urbanas para mantermos tão acelerados processos de urbanização?
Não estou abusando da liberdade de expressão. Reitero. Digo aquilo que muitos gostariam de dizer, mas estão desapontados com os seus eleitos, ou vencidos pelo medo (correndo para as filas da aposentadoria precoce antes da Reforma da Previdência... como o que aconteceu nas universidades públicas no governo FHC) ou desconfiados de que suas esperanças eram ingênuas!... Alguns jornais só publicam as cartas das autoridades máximas da República nos espaços destinados às cartas dos seus leitores. Há décadas um jornal paulistano não publica as minhas opiniões. Só me restou a internet como canal de expressão, caro amigo!... Falei. (26 de Maio de 2003).
Assertivas complementares:
1- Nenhum governo estadual petista sentiu-se seguro ou ofereceu condições para abrigar o marginal Fernandinho Beira Mar (só o governador tucano paulista e o governador do PSB de Alagoas). Este fato é sintomático?
2- Nenhum governo antidemocrático possibilitaria a ascensão eleitoral ao poder de um governo petista. Lembrem-se disto e não sejam suicidas. A democracia representativa não é perfeita, mas é muito preferível uma forma imperfeita de representação política do que uma ditadura (civil ou militar).
José Luiz Dutra de Toledo
fonte:
http://www.blocosonline.com.br/literatura/prosa/eleicoes2002/elei06.htm
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